Por que demonstrar afeto em público pode fazer a diferença
“Que contraste tão grande!”, pensei enquanto saía de um avião. Quase todas as pessoas no terminal do aeroporto estavam olhando para seus celulares. Então, vi um adorável casal de idosos em uma escada rolante.
Com os cabelos grisalhos e as marcas da idade no rosto, os dois pareciam tão carinhosos, tão próximos e atentos um ao outro, e, ao contrário de quase todos ao redor, não estavam olhando para o celular.
Não conseguia parar de observá-los. O marido estava logo atrás da esposa na escada rolante e, enquanto desciam, massageava gentilmente os ombros dela.
Quando chegaram ao fim da escada, suas mãos imediatamente se encontraram, como se nem precisassem pensar sobre isso. Eles deram as mãos de maneira tão natural e automática que parecia ser algo que faziam sempre que caminhavam juntos.
O casal andava devagar. A idade já havia diminuído o ritmo dos dois, mas havia algo naquela cena que me tocou profundamente.
Eu queria muito tirar uma foto. Queria guardar aquele momento. Mas aquele momento não era meu; era deles. Por isso, não fotografei.
Ainda assim, tive vontade de mostrar aquela cena ao mundo inteiro. Queria que outras pessoas vissem aquele exemplo e percebessem a esperança de felicidade que pode existir no amor e no casamento.

Quando vale a pena enfrentar um momento constrangedor
Acredito que devemos agir de maneira intencional, mesmo que isso às vezes signifique passar por uma situação um pouco constrangedora. Também acredito que uma comunicação aberta, quando é positiva e respeitosa, pode transformar as relações. Ela cria conexão entre as pessoas e pode provocar muitos sorrisos.
Quando passei pelo casal, resolvi fazer algo que talvez parecesse estranho.
Eu disse:
“Pela maneira como vocês cuidam um do outro e andam de mãos dadas, dá para perceber que vocês se amam muito. E, mesmo depois de tantos anos, continuam muito apaixonados.”
“Sim, continuamos”, respondeu o marido, sorrindo.
Então acrescentei:
“Obrigada por mostrarem isso para mim e para tantas outras pessoas que talvez já não acreditem tanto no casamento. Vocês estão mostrando de onde pode vir a felicidade. Estão mostrando o que significa servir e amar um ao outro. Obrigada.”
Eles sorriram e me agradeceram. Eu também sorri e agradeci a eles. Por alguns instantes, tivemos uma conexão muito bonita.

E então aconteceu de novo
Talvez dois minutos depois, enquanto caminhava em direção à próxima escada rolante, vi outro casal descendo.
A mulher segurava carinhosamente o ombro do marido enquanto ele a apoiava pela frente. Quando chegaram ao fim da escada, ele inclinou o rosto em direção ao ombro e beijou suavemente a mão dela.
Depois, segurou sua mão com ternura e os dois seguiram pelo corredor de mãos dadas.
Amor. Ali estava ele outra vez.
Tão evidente, tão natural, tão generoso.
Dessa vez, não disse nada. E, novamente, resisti à vontade de tirar uma foto daquela cena.
Enquanto caminhavam em direção ao portão de embarque, as mãos dos dois balançavam suavemente juntas. Parecia uma pequena dança de amor repetida tantas vezes ao longo dos anos que já havia se tornado completamente natural.

O poder de simplesmente dar as mãos
Se ver duas pessoas de mãos dadas pode causar um impacto tão grande em alguém que já vive um casamento feliz e saudável e que também tem a mão do próprio marido para segurar, imagine o que essa cena poderia significar para alguém que não está acostumado a ver união, felicidade, amor ou relacionamentos familiares próximos.
Em diferentes lugares, as taxas de fertilidade e o número de casamentos que permanecem intactos vêm diminuindo.
Amor, sacrifício, compreensão e conexão são aprendidos primeiro dentro da família. Quando a formação de famílias diminui ou quando a importância do casamento e da família é minimizada, será que não acabamos transmitindo, mesmo sem perceber, a ideia de que a solidão e o distanciamento familiar são caminhos para a felicidade?
Podemos apresentar estatísticas e tendências. Podemos aconselhar os pais a não falarem de maneira negativa sobre casamento ou filhos. Podemos tentar mudar a maneira como esses assuntos são apresentados na mídia.
Mas talvez uma das maneiras mais simples de mudar essa conversa seja mostrar mais demonstrações de afeto verdadeiras e naturais.

O que nossos filhos estão vendo?
Imagine uma jovem de 17 anos que cresceu acreditando que sua principal missão na vida é ganhar dinheiro para encontrar felicidade.
O que poderia acontecer se ela visse seus pais e avós demonstrando amor um pelo outro diante dela?
E se ela crescesse vendo pessoas que se amam andando de mãos dadas, cuidando uma da outra e demonstrando carinho dentro de relacionamentos saudáveis?
Talvez ela também desejasse experimentar esse tipo de cuidado em sua própria vida.
Talvez percebesse que todo o dinheiro e todas as coisas que podemos conquistar não oferecem necessariamente a mesma paz que existe em ter uma mão para segurar, especialmente quando a outra pessoa também deseja segurar a sua.

Demonstre carinho por quem você ama
Segure a mão das pessoas da sua família.
Certamente a de seu cônjuge, mas também a de seus filhos e de seus pais.
Sempre vou guardar com carinho os momentos especiais em que posso segurar o braço ou a mão de um dos meus filhos adultos. São pequenos gestos que mostram o quanto realmente significamos uns para os outros.
São momentos que, sem precisar de muitas palavras, parecem dizer:
“Você é parte de mim. Eu amo você, não importa o que aconteça.”
Fonte: Meridian Magazine
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Post original de Maisfé.org
