Irmão Joseph Novamente: o rosto não confirmado no medalhão
Uma relíquia de família guardada por anos, com um fecho defeituoso. Um rosto revelado à luz de uma pequena lanterna. Uma cadeia de custódia interrompida.
Os elementos do filme Brother Joseph Again sugerem uma investigação histórica, com uma pergunta digna do grande Sherlock Holmes: será que este daguerreótipo realmente retrata Joseph Smith?
O que me chama a atenção não é simplesmente a possibilidade de finalmente obter uma resposta definitiva para essa pergunta. Pessoalmente, o que me fascina é a tensão entre as pistas que podem ser medidas, contadas e analisadas e minhas convicções, que não podem.

O rosto escondido por décadas
Nos últimos anos, esse mistério passou a envolver Dan Larson, tataraneto de Joseph Smith Jr. e seu parente vivo mais próximo, que herdou algumas lembranças da família na década de 1990. Entre elas estava um objeto que ele acreditava ser um relógio de bolso, cujo fecho não abria. Ele o guardou em um cofre, onde permaneceu por décadas, até que, em 2020, durante a pandemia, decidiu forçá-lo com um abridor de cartas.
Sob a luz de uma pequena lanterna, um rosto apareceu.
Para a recriação feita no documentário, o pesquisador e cineasta Patrick Bishop produziu uma réplica a fim de proteger o objeto original. Daylen Pollard, diretor do filme, gravou Larson refazendo os passos da descoberta em seu escritório. Larson ficou emocionado. Bishop também. Ele conta que preferiu sair por alguns instantes para não permitir que a emoção comprometesse a objetividade que havia procurado manter ao longo de quatro anos de pesquisa.
É aqui que a investigação encontra sua principal dificuldade: todos querem reconhecer aquele rosto. Mas reconhecer não é o mesmo que identificar de maneira incontestável. O próprio Bishop reconhece que não existe uma “proveniência irrefutável” do objeto.

As pistas por trás do possível retrato
Outras pistas precisaram ser reconstruídas. Segundo Bishop, seu principal colaborador na investigação forense, Joseph Brickey, passou três anos reconstruindo manualmente crânios em 3D a partir de algumas fotografias tiradas durante a exumação de Joseph e Hyrum Smith, em 1928.
Máscaras mortuárias, retratos, profundidade dos tecidos faciais e evidências de ferimentos no rosto se tornam peças desse quebra-cabeça. Até mesmo a recriação do martírio na Cadeia de Carthage faz parte da investigação sobre a verdadeira identidade da pessoa fotografada no medalhão.
Pollard contratou um ator de estatura semelhante para recriar a cena. Os relatos dos ferimentos sofridos após a queda de Joseph Smith também ajudam os pesquisadores na interpretação dos crânios e das máscaras.
Por que o rosto de Joseph Smith importa?
Os cineastas chegam a uma conclusão cuidadosamente fundamentada. Essa conclusão, no entanto, não elimina a tensão entre a interpretação deles e aquilo que cada evidência é capaz de comprovar de maneira incontestável.
E continuo me perguntando: por que uma imagem autêntica de Joseph Smith seria tão importante?
Para aqueles que conhecem o chamado modelo Heartland sobre a geografia do Livro de Mórmon, surge uma questão semelhante: por que algumas pessoas se importam tanto com onde os acontecimentos ocorreram quanto com o fato de que eles realmente aconteceram e com a maneira como os princípios ensinados podem influenciar positivamente nossa vida hoje?
Esse daguerreótipo não pode determinar se Joseph Smith foi ou não um verdadeiro profeta de Deus. Mas Bishop expressou bem uma ideia: um rosto importa para Deus e, por isso, também deveria importar para nós.
A grande questão em torno dessa suposta imagem de Joseph Smith revela algo ainda maior: o desejo de tornar a história sagrada algo concreto, que possamos ver e tocar.
Para mim, esse é o mistério por trás do próprio mistério. A questão não é apenas de quem é o rosto que estamos vendo, mas o que esperamos, ou precisamos, que esse objeto prove para nós individualmente.
O que eu preciso que ele prove provavelmente é diferente daquilo que você precisa que ele prove.
Por isso, assista ao filme e leia o livro. Depois, reúna as pistas e tire suas próprias conclusões.
Fonte: Meridian Magazine
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Post original de Maisfé.org
