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1 bebê, 40 países e a descoberta de que a Igreja é a mesma no mundo todo

Keith e Chelsea Sasine fizeram história em novembro passado, quando levaram Mia, sua quarta filha, a conhecer 40 países antes de ela completar o primeiro ano de vida. Embora não exista um registro oficial, o International Book of Records aponta que a criança com mais viagens registradas seria um menino de 16 meses que visitou 31 países, número que Mia superou com folga.

A ficha caiu para a própria família em um lugar inesperado. “Tudo isso começou quando estávamos em Malta, que foi o 40º país dela”, contou Chelsea em entrevista ao Deseret News. “Estávamos no elevador e um inglês perguntou: ‘Ah! Essa é a primeira vez que ela sai do país?’ E a gente respondeu: ‘Não, na verdade é o 40º país dela.’ A reação dele foi hilária. Ele quase caiu no chão; não conseguia acreditar. Disse: ‘Isso só pode ser um recorde mundial!’”

Entre março e novembro de 2025, a família percorreu países da Europa, da América do Norte e do norte da África. Mas, para os Sasine, o verdadeiro tesouro nunca esteve nos números — e sim nas memórias e nas bênçãos que cada parada trouxe. “Penso em todas essas lembranças como pequenos pedaços de cola que vão unindo a nossa família”, disse Keith.





“A gente simplesmente pegou gosto por viajar”

Keith nasceu e cresceu em South Jordan, Utah, e é cirurgião bucomaxilofacial do Exército dos Estados Unidos, atualmente baseado na Alemanha. Chelsea é natural do Colorado. Juntos, são pais de quatro filhos: Izzy, de 10 anos; Abby, de 9; John, de 4; e Mia, hoje com 18 meses.

O casal se conheceu enquanto Keith estudava na Academia da Força Aérea. Namoraram à distância até que ele pôde deixar a Força Aérea para se casar com Chelsea. Em seguida, foi estudar com ela na BYU–Havaí. Lá, Chelsea trabalhava como agente de rampa para a SkyWest, o que permitia ao casal voar de graça.

“Foi quando descobrimos que amávamos viajar”, lembrou Chelsea. “Viajávamos nos fins de semana, principalmente para a Ásia, e conhecemos cerca de 30 países nessa época.”

Depois que Keith se formou na BYU–Havaí, ingressou no Exército em Salt Lake City e se mudou para San Francisco, onde cursou odontologia. Durante esses três anos, somados aos cinco anos de residência no Havaí, as viagens ficaram, em grande parte, em pausa.

A mudança para a Alemanha: a oportunidade de uma vida

Em 2023, Keith foi designado para a Alemanha. Cerca de um ano depois, o casal descobriu que esperava o quarto filho, e que Keith teria direito a 12 semanas de licença-paternidade.

“Sabíamos que podíamos usar esse tempo para nos recuperar da chegada do bebê, e o jeito que a Chelsea gosta de se recuperar é viajando para muitos lugares”, disse Keith.

Nos primeiros quatro meses de vida de Mia, a família não fez nenhuma viagem. Em março de 2025, voaram até Porto Rico para visitar parentes.

“Desde o começo, soubemos que tínhamos algo especial na Mia”, explicou Keith. “No voo para Porto Rico, colocamos ela em um colchãozinho embaixo do assento da frente, e ela dormiu o voo inteiro, nove horas seguidas. A gente pensou: ‘Uau, esse não é um bebê comum para viajar.’”

De volta à Alemanha, decidiram planejar mais viagens à medida que Mia crescia. A maioria dos países foi conhecida em duas grandes viagens de carro pela Europa.

Os países que a família Sasine visitou em 2025 foram: Alemanha, Porto Rico (EUA), Luxemburgo, Bélgica, França, Inglaterra, Irlanda, País de Gales, Escócia, Tchéquia, Portugal, Marrocos, Itália, Vaticano, Áustria, Hungria, Sérvia, Bulgária, Romênia, Turquia, Grécia, Albânia, Macedônia do Norte, Kosovo, Montenegro, Bósnia, Croácia, Eslovênia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Chipre, Suíça, Liechtenstein e Malta.

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Uma família grande chama a atenção por onde passa

“O legal de onde moramos é que a maioria das nossas viagens foi feita na nossa Honda Odyssey”, contou Keith.

“A gente chamava muita atenção por ter tantos filhos”, acrescentou Chelsea. “Muitas vezes as pessoas parabenizavam o Keith. Viam ele carregando a Mia e diziam: ‘Mandou bem, pai, está fazendo certo.’”

Viajar com Mia também abriu portas para experiências únicas. “Isso abre as pessoas”, disse Chelsea. “Elas te convidam para entrar na casa delas ou conversam com você no trem. É uma experiência totalmente diferente quando você viaja com um bebê.”

A bondade de estranhos pelo caminho

Mais de uma vez, a família ficou impressionada com a generosidade de quem encontrava.

“Enquanto estávamos em Istambul”, lembrou Keith, “deixamos o carro parado por alguns dias. Quando estávamos saindo da Turquia, a roda começou a fazer um barulho estranho. As porcas tinham afrouxado por causa do calor. Parei num posto de gasolina e, antes que eu pudesse pedir ajuda, um homem se aproximou e perguntou: ‘Você está bem?’”

Keith explicou o que estava acontecendo, e o homem os ajudou a encontrar uma oficina de pneus, servindo de tradutor. “Ele ficou ali com a gente por uma hora e meia, para garantir que não fôssemos enganados”, contou. Os mecânicos consertaram o carro e ainda trocaram as pastilhas de freio por um preço muito abaixo do que o casal esperava.

Depois de tudo resolvido, o homem que os havia ajudado disse: “Vocês precisam vir à minha casa, eu preciso alimentar vocês.” “Ele nos levou até a casa dele”, relatou Keith, “nos apresentou à família, foi comprar comida para nós e, então, comemos pratos típicos turcos no quintal da casa dele.”

O mundo inteiro como sala de aula

Desde que chegaram à Europa, os Sasine passaram a educar os filhos em casa, com Chelsea como principal professora. Para ela, viajar se tornou uma oportunidade educacional única — tanto para os pais quanto para as crianças.

“As crianças aprendem tanto viajando”, disse Chelsea. “Eu estava preocupada com o ensino em casa e com a forma de prepará-los, mas há muita coisa que se aprende vivendo em um lugar diferente. Por meio dessas experiências, eles aprendem de forma espontânea sobre algarismos romanos, sobre converter moedas e sobre respeitar as culturas.”

Os pais se divertem ao descobrir o que fascina cada filho. “Você nunca sabe o que vai cativar o John”, disse Chelsea sobre o filho de 4 anos. “Ele odeia o Coliseu, mas adora as viagens de trem e as vacas atravessando a rua. Ele ama a Ryanair.”

“Eles fazem amigos com muita facilidade na praia ou no parque e, mesmo sem conseguir se comunicar, eles se comunicam. São os melhores comunicadores que existem.” Keith completou o raciocínio da esposa: “Isso os ajudou a entender que os amigos deles não são só as pessoas que moram na porta ao lado. Os amigos deles são o mundo inteiro.”

Quando algo dava errado, a família transformava o problema em aprendizado. “Viajar te ajuda a realmente priorizar a família, porque você tem que resolver os perrengues juntos”, disse Chelsea. “Quando acontece alguma coisa ruim, a gente chama de ‘atividade de união familiar’ e resolve em equipe.”

As memórias que unem a família

Além dos benefícios educacionais, Keith e Chelsea viram as aventuras estreitarem os laços da família. “As memórias são muito poderosas”, disse Keith. “A palavra que mais aparece nas escrituras é ‘lembrar’.”

“De repente, a Izzy, a Abby ou o John vem falar comigo”, continuou ele. “A gente está conversando sobre um assunto qualquer, e eles dizem: ‘Ah, você lembra quando estávamos no Marrocos e fomos almoçar com aquela senhora simpática que nos convidou?’

Penso em todas essas lembranças como pequenos pedaços de cola que unem a nossa família. Quando eles vêm até mim, sem que ninguém peça, e compartilham essas memórias, é sinal de que tudo ficou marcado de verdade.”

Até para a pequena Mia a experiência teve um propósito. Ela conheceu boa parte do mundo presa ao peito do pai, no canguru. “Eu adoro tirar a licença-paternidade mais tarde”, explicou Chelsea, “porque ela fica grudada no Keith e vê o mundo da perspectiva dele.”

“Muita gente enxerga a licença-paternidade de um certo jeito”, disse Keith. “É tipo: ‘Ah, você está ajudando a mãe com as crianças, ou cuidando dos filhos enquanto a mãe dorme.’ Mas a gente quis usar a licença como uma forma de eu realmente criar um vínculo com a Mia. Poder viajar desse jeito deixou esse laço muito mais forte.”

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Experiências que fortaleceram a fé

Enquanto viajavam, os Sasine tiveram a oportunidade de frequentar a igreja em dezenas de lugares novos. Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, eles encontraram nas reuniões dominicais um dos pontos altos de cada viagem.

“Sinceramente, ir à igreja é sempre o melhor das nossas viagens”, disse Chelsea. “Há tanta beleza nas conexões que criamos, e a maioria delas veio de frequentar a igreja. Sentar ao lado de pessoas do mundo todo e ouvir suas histórias de conversão… o Espírito é sempre muito forte.”

Mesmo quando era difícil — por causa da distância ou da barreira do idioma —, eles sempre viam bênçãos em participar. O casal também enxergou nas viagens uma chance de ensinar aos filhos a importância de ir à igreja. “Estamos em viagens únicas na vida”, disse Keith. “Em países aos quais talvez nunca voltemos. Mas vamos à igreja.”

“As crianças são tão boas”, contou Chelsea. “Elas sempre vão à segunda hora e à Primária. Muitas vezes é diferente da ala militar americana delas, mas elas cantam os hinos e aprendem as lições. A Abby fez uma meta de sempre compartilhar o testemunho no domingo de jejum, sempre que está em um país diferente.”

“A Igreja é verdadeira em Montenegro e em Londres”, afirmou Chelsea.

Para Keith, viajar trouxe uma percepção marcante sobre a humanidade. “Isso faz você perceber que somos muito mais parecidos do que diferentes. Boa parte do mundo quer enfatizar: ‘É assim que eu sou, e sou eu porque sou diferente.’ Mas, ao visitar todos esses países, você percebe que são todas pessoas vivendo suas vidas, apenas tentando ser boas pessoas. Não importa a raça, a religião, a crença ou o gênero: parecia que temos muito mais em comum do que de diferente.”

O que as crianças acharam de viajar com um bebê

Os filhos dos Sasine amaram viajar com a irmã caçula tanto quanto os pais. “Vale muito a pena”, disse Izzy, a mais velha, que pôde acompanhar a irmãzinha crescer enquanto exploravam o mundo. “Em Budapeste, tínhamos um hotel com uma janela gigante; ela encostou no vidro, e foi assim que descobrimos que ela tem medo de altura.”

“No Marrocos”, contou Abby, “a gente estava andando de camelo, e ela dormiu em cima do camelo. Quando acordou, estávamos todos de turbante, e ela ficou bem assustada.”

Perguntado se algum dia foi difícil viajar com um bebê, John, de 4 anos, respondeu à sua maneira: “Nadinha, nadinha.” E completou: “Eu gosto muito da bebê porque ela gosta de brincar com a minha pista de corrida da Patrulha Canina.”

Questionada se já havia sentido vergonha da irmã caçula, Abby respondeu: “Não, na maior parte do tempo eu tenho muito orgulho dela. Todo mundo beija e ama muito ela. Dão um monte de biscoitos e lanchinhos, e adoram beijar as bochechas dela.”

Cada criança também teve suas aventuras favoritas: John disse que a dele foi jogar golfe em Saint Andrews, na Escócia; Abby escolheu a visita ao Domo da Rocha, em Israel; e Izzy ficou com a Mesquita Azul, na Turquia, e os passeios de camelo no Marrocos.

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O que vem a seguir para os Sasine

No próximo ano, a família voltará aos Estados Unidos para se estabelecer em Colorado Springs, cidade natal de Chelsea. O ritmo das aventuras pode mudar, mas o foco permanecerá o mesmo.

“Quando voltarmos para os Estados Unidos, talvez seja diferente”, disse Keith. “Mas isso não muda o fato de que estar juntos como família e viajar juntos é a forma como criamos memórias e conexões.”

Para o casal, o que mais importou foi passar tempo em família e aproveitar ao máximo a situação em que estavam. “Tudo começou meio como um ‘ei, a gente pode fazer isso’. Saímos um pouco da zona de conforto e percebemos que era mesmo uma oportunidade única na vida”, disse Keith.

“Aproveite ao máximo qualquer situação em que você esteja. O próximo passo pode ser acampar ou viajar de trailer, mas vamos dar esse próximo passo da forma mais plena possível, para aproveitar ao máximo o nosso tempo em família.”

Fonte: Deseret News

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