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O que significa presidir, prover e proteger na família?

“A Família: Proclamação ao Mundo” resume, em uma única frase, o papel dos pais dentro do lar: “Segundo o modelo divino, o pai deve presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los.

A responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos. Nessas atribuições sagradas, o pai e a mãe têm a obrigação de ajudar-se mutuamente como parceiros iguais.”

Vale notar que essa mesma frase da Proclamação também garante, sem meio-termo, que “os filhos têm direito a nascer dentro dos laços do matrimônio e a ser criados por pai e mãe que honrem os votos conjugais com total fidelidade”, ou seja, o texto não fala em privilégios para os pais, mas em obrigações e responsabilidades diante de quem mais precisa de proteção: os filhos.





Três palavras carregam boa parte desse peso: presidir, prover, proteger, e vale a pena entender o que cada uma delas realmente significa, porque, fora desse contexto, elas costumam ser mal interpretadas.

Presidir não é comandar

Fora da Igreja, “presidir” costuma ser sinônimo de exercer autoridade ou controle sobre alguém, como um presidente sobre seus subordinados. Dicionários seculares chegam a definir a palavra dessa forma. Mas os próprios líderes da Igreja têm insistido, repetidas vezes, que esse não é o sentido de presidir na Proclamação.

O presidente Boyd K. Packer foi enfático sobre isso: ser o “chefe” ou ter “a última palavra” dentro de casa não é presidir segundo o modelo da Proclamação, é exatamente o oposto dele. Ele explicou a diferença entre o funcionamento do sacerdócio na Igreja e no lar:

“Na Igreja, servimos mediante um chamado (…) Servimos onde formos chamados por aqueles que nos presidem. No lar há uma parceria entre o marido e a mulher, e o jugo entre eles é igual, as decisões são tomadas em conjunto e eles sempre trabalham unidos”.

O élder L. Tom Perry foi na mesma direção ao explicar como essa presidência deveria se manifestar na prática, no dia a dia — não em grandes decisões unilaterais, mas em pequenos atos de liderança compartilhada:

“Você preside na mesa de refeições, na oração familiar. Você preside a noite familiar e, conforme for guiado pelo Espírito do Senhor, deve cuidar para que seus filhos aprendam princípios corretos.”

E completou algo essencial: “não há um presidente e um vice-presidente na família. O casal trabalha eternamente unido para o bem da família (…) São iguais”.

O presidente Howard W. Hunter reforçou que essa parceria exige participação real da esposa em cada decisão da casa, não apenas sua concordância:

“Um portador do sacerdócio aceita a esposa como sócia na liderança do lar e da família, com pleno conhecimento e participação em todas as decisões domésticas”.

E foi ainda mais direto sobre o que realmente fortalece uma família: “uma das maiores coisas que um pai pode fazer pelos filhos é amar a mãe deles.”

O presidente Marion G. Romney resumiu esse mesmo princípio de outra forma: marido e esposa “devem ser um em harmonia, respeito e consideração mútua. Nenhum dos dois deve planejar ou seguir um curso de ação independente. Devem se aconselhar, orar e decidir juntos”. Para ele, nem marido nem esposa são “escravos” um do outro: são parceiros iguais, tanto nesta vida quanto na eternidade.

Os limites de uma presidência justa

As escrituras são específicas sobre até onde vai essa autoridade. Segundo Doutrina e Convênios 121, os direitos do sacerdócio “são inseparavelmente ligados com os poderes do céu”, mas assim que alguém tenta “exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade”, essa autoridade simplesmente deixa de funcionar: “os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem” (D&C 121:36–37).

Pesquisadores da BYU que estudam famílias de fé há mais de duas décadas descrevem esse tipo de liderança compartilhada com um conjunto simples de princípios: tornar-se “de um só coração” por meio do amor genuíno, colocar o casamento e a família em primeiro lugar, aconselhar-se mutuamente antes de agir, dividir as tarefas do dia a dia, comemorar as diferenças entre o casal em vez de tentar apagá-las e tomar toda decisão importante em conjunto, com humildade.

Na prática, presidir bem tem menos a ver com dar a palavra final e mais a ver com nunca tomar uma decisão importante sozinho.

O élder Neal A. Maxwell resumiu esse sentimento de forma bastante pessoal, ao falar em nome dos portadores do sacerdócio sobre suas esposas:

“Sabemos que não podemos ir a lugar nenhum que realmente importe sem vocês, nem gostaríamos que fosse diferente. Quando nos ajoelhamos para orar, nos ajoelhamos juntos. Quando nos ajoelhamos no altar do templo sagrado, nos ajoelhamos juntos. Quando nos aproximarmos do portão final, onde o próprio Jesus é o guardião, passaremos por esse portão juntos, se formos fiéis”.

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Prover e proteger vão além do sustento financeiro

A Proclamação fala em “atender às necessidades” e “proteger” a família, mas isso não se resume ao salário no fim do mês. O presidente Hunter explicou que a proteção de um pai também passa pela vida espiritual da casa: “O portador do sacerdócio lidera o envolvimento da família na Igreja, para que aprendam o evangelho e estejam sob a proteção dos convênios e ordenanças.”

O presidente Ezra Taft Benson chegou a listar dez ações concretas nesse sentido: dar bênçãos paternas, conduzir pessoalmente a oração e o estudo das escrituras em família, participar das atividades dos filhos, criar tradições em família, reservar um tempo a sós com cada um deles, ensiná-los a trabalhar.

Para ele, o modelo a seguir nunca deveria ser o de autoridade rígida: “Não vemos o Salvador dirigir a Igreja com mão dura e severa (…) Ele é o modelo que devemos seguir na liderança espiritual de nossa família”.

Duas histórias reais, colhidas ao longo de mais de vinte e cinco anos de entrevistas com famílias de fé, ilustram bem o que essa proteção significa na prática. Um dos pais entrevistados trabalhava num presídio de segurança máxima, cercado diariamente por aquilo que ele mesmo descrevia como “pura maldade”.

Justamente por isso, ele fazia questão de transformar sua casa num tipo diferente de lugar: “Já existe influência ruim demais lá fora, no mundo (…) e a gente não precisa trazer isso pra dentro de casa, entre as paredes do nosso lar.

As paredes da nossa casa deveriam ser um santuário.” Para ele, esse “santuário” se construía com coisas simples, oração em família, estudo das escrituras, e a certeza de que ali dentro havia algo em que a família sempre podia se apoiar.

Outro pai, entrevistado na mesma pesquisa, levava havia anos um dos filhos, que tinha necessidades especiais, para tratamento especializado em outro estado, viagens caras, cansativas, sem fim à vista.

Em vez de reclamar do custo, ele resumia assim o que sentia: “A paternidade talvez seja a maior coisa que eu já pude alcançar. Se eu for presidente dos Estados Unidos, ou dono de uma grande empresa, ou receber reconhecimento por qualquer coisa que eu faça, isso um dia vai acabar (…) mas eu serei sempre o pai dos meus filhos.”

Ele contou que só entendeu isso de verdade depois que teve o primeiro filho: casamento não era o fim da jornada, ter um filho era.

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O que a pesquisa mostra sobre pais presentes

Um levantamento do Wheatley Institute, ligado à BYU, reuniu evidências sobre o efeito da presença paterna no desenvolvimento dos filhos, publicado em detalhes na BYU Studies Quarterly. Entre os achados:

  • O vínculo entre pai e filho costuma ser mais estimulante, brincalhão e aberto, enquanto o vínculo materno tende a ser mais voltado para a segurança e o acolhimento.
  • Pais costumam incentivar mais a independência dos filhos, o que ajuda a desenvolver a capacidade de tomar iniciativa.
  • A presença do pai também está associada a um senso mais claro de limites e autoridade, já que costumam confrontar e disciplinar mais, o que molda a estabilidade, a ordem, a autoconfiança e a autodisciplina dos filhos no longo prazo.
  • Um pai envolvido é apontado como um dos fatores isolados mais fortes para prever se um filho vai concluir a faculdade.
  • O envolvimento paterno também aparece como uma proteção significativa contra comportamentos de risco e criminalidade que podem se estender até a vida adulta.
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Um chamado que não tem data para acabar

Diferente de um chamado na Igreja, que é temporário por natureza, a paternidade não funciona assim. Como resumiu o presidente Benson:

“Pais, vocês têm um chamado eterno do qual não serão jamais desobrigados (…) O chamado de pai, porém, é eterno, e sua importância transcende o tempo.”

Presidir, prover e proteger, então, não são tarefas para cumprir e riscar de uma lista, são um compromisso que, segundo a doutrina da Igreja, acompanha um pai muito além desta vida.

Fonte: Public Square Magazine

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