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Nancy Rigdon e a Carta da Felicidade

Críticos da Igreja afirmam que Joseph Smith teria escrito uma carta particular para Nancy Rigdon a fim de justificar um comportamento imoral enquanto a pedia em casamento. A chamada “Carta da Felicidade” (Happiness Letter) surgiu, e a única razão pela qual temos conhecimento dela é por causa de John C. Bennett.

E, embora a credibilidade histórica dessa carta seja quase inexistente, ela ainda é citada como uma “fonte válida” e usada como argumento em publicações e sites antimórmons.

O que sabemos sobre John C. Bennett

Antes de se filiar à Igreja, John C. Bennett tinha um passado bastante controverso e escandaloso, que incluía:





  • Abandonar a esposa e os filhos durante suas constantes mudanças na década de 1830, deixando para trás suas responsabilidades familiares enquanto fugia de escândalos e dívidas.
  • Exagerar e falsificar suas credenciais médicas, apresentando-se como um médico altamente qualificado apesar de sua limitada formação acadêmica.
  • Vender certificados e diplomas médicos em troca de dinheiro enquanto estava ligado a instituições médicas em Ohio, um escândalo que resultou em seu afastamento e em sua saída do estado.
  • Acumular dívidas não pagas em diversos lugares, deixando repetidamente as cidades sob suspeita em vez de responder às acusações.
  • Buscar rapidamente posições de poder onde quer que se estabelecesse, usando títulos, autoconfiança e contatos para conquistar a confiança das pessoas.
  • Cometer adultério em Nauvoo, seduzindo mulheres em segredo enquanto alegava falsamente que Joseph Smith havia autorizado suas ações.
  • Inventar e ensinar o chamado “casamento espiritual” (spiritual wifery), uma doutrina que Joseph Smith condenou explicitamente, atribuindo-a a Joseph para proteger a si mesmo.
  • Confessar em particular sua má conduta quando confrontado pelos líderes da Igreja e depois se recusar a se arrepender.
  • Tornar-se hostil depois de ser excomungado, iniciando uma campanha pública para difamar Joseph Smith e a Igreja.
  • Publicar acusações sensacionalistas em jornais hostis, incluindo alegações falsas de natureza sexual, política e criminal.
  • Acusar falsamente Joseph Smith de tentar derrubar o governo.
  • Afirmar falsamente que Joseph Smith havia planejado a tentativa de assassinato do governador do Missouri, Lilburn W. Boggs, acusação que mais tarde se mostrou infundada.
  • Envolver-se em conspirações e falsos testemunhos que contribuíram para as prisões de Joseph Smith e para os períodos em que ele foi obrigado a se esconder.

Essas ações estabelecem um padrão claro e duradouro. Quando Bennett recebia a confiança das pessoas, ele se aproveitava dela. Quando era desmascarado, retaliava com mentiras destinadas a destruir reputações e instituições.

Uma das acusações mais prejudiciais feitas por Bennett contra Joseph Smith foi a carta publicada em um jornal e que ficou conhecida como a “Carta da Felicidade”. Ele afirmou que Joseph a havia escrito para Nancy Rigdon como uma proposta de casamento plural.

Essa é uma ilustração gerada por IA, não existem fotografias de Nancy

Quem foi Nancy Rigdon?

Nancy Rigdon era filha de Sidney Rigdon, um dos colaboradores mais próximos de Joseph Smith. É possível que Joseph Smith tenha conversado com ela, assim como fez com muitas outras pessoas, sobre o selamento eterno. O que não temos são relatos confiáveis em primeira mão que sustentem a narrativa publicada por Bennett.

Por outro lado, temos relatos em primeira mão de propostas feitos por várias das esposas plurais de Joseph Smith, e o que elas descrevem é muito diferente da história apresentada por Bennett. Elas falam de hesitação, seriedade e sacrifício pessoal.

Descrevem explicações cuidadosas e convênios feitos perante Deus, e não manipulação, coerção ou uma filosofia descuidada sobre felicidade e moralidade. O casamento plural praticado pelos primeiros santos era muito diferente do que John C. Bennett ensinava ou do que os críticos da Igreja tentam retratar.

A Carta da Felicidade

A ironia da Carta da Felicidade é que sua lógica se assemelha ao comportamento e aos ensinamentos do próprio John C. Bennett sobre o chamado “casamento espiritual”. Bennett promovia abertamente o sigilo, o relativismo moral e a justificativa do adultério. Depois de ser desmascarado, atribuiu sua filosofia a Joseph Smith.

Considerando o conhecido padrão de desonestidade, retaliação e projeção de Bennett, é razoável perguntar por que a origem desse único documento deveria, de repente, ser aceita sem questionamentos.

É realmente sobre esse fundamento que queremos construir ou destruir um testemunho?

Onde colocaremos nossa fé?

Toda questão histórica acaba se tornando, em algum nível, uma questão de confiança.

Colocaremos nossa fé no testemunho de John C. Bennett, um homem com um histórico documentado de engano e escândalos, ou no testemunho de Joseph Smith, que constantemente testificou de Cristo e selou esse testemunho com a própria vida?

Em 2 Néfi 33:10, no Livro de Mórmon, lemos:

“E agora, meus amados irmãos, e também judeus e todos vós, confins da Terra, dai ouvidos a estas palavras e acreditai em Cristo; e se não acreditardes nestas palavras, acreditai em Cristo. E se acreditardes em Cristo, acreditareis nestas palavras, porque são as palavras de Cristo e ele deu-as a mim; e elas ensinam a todos os homens que devem fazer o bem.”

Se podemos sentir o Espírito testificar de Jesus Cristo por meio do Livro de Mórmon, então é razoável confiar que o homem que o traduziu, apesar de suas falhas e pecados, estava sinceramente se esforçando para seguir a Deus.

Joseph Smith sofreu e perseverou

Chamado ao arrependimento

Joseph Smith não era perfeito. Ele foi repreendido publicamente pelo Senhor em revelações encontradas nas seções 3, 10, 24, 30, 93, 98 e 105 de Doutrina e Convênios.

Seus erros não são escondidos. Ele é corrigido pelo nome e advertido quando teme os homens mais do que a Deus, quando negligencia responsabilidades e quando precisa se arrepender e melhorar. Joseph não era perfeito. Mas ele tentou. Continuou tentando seguir a Deus e obedecer a mandamentos que muitas vezes o colocaram em conflito direto com o mundo ao seu redor e até mesmo com pessoas próximas a ele.

Perseguição

Desde jovem, Joseph foi ridicularizado e perseguido por afirmar que havia visto Deus e anjos. Vizinhos zombaram dele, ministros religiosos o denunciaram e comunidades locais o trataram como uma fraude ou ameaça. Ele sofreu violência física, inclusive quando foi espancado, coberto de piche e penas em 1832, um ataque que o deixou ferido e emocionalmente abalado e que contribuiu para a morte de seu filho pequeno pouco tempo depois.

A pobreza o acompanhou durante grande parte de sua vida. Ele foi repetidamente expulso de sua casa, primeiro em Nova York, depois em Ohio, Missouri e, finalmente, Illinois. A cada vez, viu pessoas que confiavam nele perderem terras, casas, negócios e segurança simplesmente porque acreditavam em seu testemunho.

Traição de amigos

Joseph sofreu profundamente com traições dentro de sua própria comunidade. Líderes de confiança e amigos próximos se voltaram contra ele, muitas vezes publicamente. O colapso da instituição financeira Kirtland Safety Society fez com que muitos santos perdessem suas economias e fez Joseph perder a confiança de pessoas que amava e que havia incentivado a investir. Embora não tenha obtido lucro pessoal com isso, ele levou a culpa.

Antigos aliados se tornaram inimigos amargos, e alguns passaram o restante da vida tentando destruí-lo.

Prisões e injustiças

Ele enfrentou repetidas prisões, inclusive os meses que passou na Cadeia de Liberty, confinado em condições brutais, doente, com frio e separado da família enquanto seu povo era expulso de suas casas e atacado em todo o Missouri.

Promessas de proteção feitas por autoridades governamentais foram repetidamente quebradas. Governadores, juízes e legisladores lhe garantiram justiça e depois deixaram de agir por medo, pressão política ou ambição pessoal. Joseph aprendeu em primeira mão como a proteção legal podia ser frágil quando a opinião pública se tornava hostil.

Ridicularizado por ensinar novas doutrinas

Joseph também enfrentou o peso de apresentar doutrinas que eram profundamente impopulares e mal compreendidas em sua época. Ensinamentos sobre revelação contínua, autoridade do sacerdócio, ordenanças do templo e casamento plural o colocaram em conflito não apenas com o mundo, mas, às vezes, com seus próprios seguidores.

A obediência a esses mandamentos lhe trouxe angústia, especialmente porque o casamento plural trouxe dificuldades para seu casamento com Emma, causou confusão entre os santos e colocou sua fé à prova de maneiras que poucas pessoas poderiam compreender plenamente.

No fim, Joseph sofreu uma traição que contribuiu diretamente para sua morte. Acusações falsas, manobras políticas e desinformação deliberada criaram um ambiente no qual a violência contra ele passou a ser considerada justificável por seus inimigos.

Preso mais uma vez sob acusações questionáveis, ele foi confinado na Cadeia de Carthage, onde ele e seu irmão Hyrum foram assassinados por uma turba enquanto estavam sob proteção do estado.

Morto por causa de suas crenças

Joseph Smith viveu uma vida marcada por dificuldades, perdas e sofrimento. Ele cometeu erros. Pecou. Arrependeu-se. Suportou ridicularização, violência, pobreza, prisão, traição e, por fim, a morte.

Ainda assim, em meio a tudo isso, continuou a testificar de Jesus Cristo e da Restauração do evangelho. Independentemente da conclusão a que alguém chegue sobre suas declarações, é difícil examinar sua vida com sinceridade sem reconhecer o imenso preço pessoal que pagou pelo que afirmava acreditar.

E tudo isso começou porque um jovem Joseph, de apenas 14 anos, tinha dúvidas sobre sua própria salvação.

Acreditar nos registros históricos também exige fé

Os críticos se concentram em algumas alegações contestadas, baseadas principalmente em testemunhas hostis, e as utilizam para descartar toda uma vida de sacrifício, fé e testemunho. Essa escolha também exige fé.

Na minha opinião, é preciso muito mais fé para acreditar que John C. Bennett repentinamente se tornou uma testemunha confiável ao apresentar a Carta da Felicidade do que para acreditar que Joseph Smith, apesar de suas imperfeições, era um profeta de Deus.

A questão não é se a fé é necessária. A questão é: qual fé conduz à paz, qual fé nos aproxima de Jesus Cristo e qual fé traz o Espírito de Deus para nossa vida?

Essa é a pergunta que espero que minha amiga continue a fazer, com paciência e sinceridade, enquanto busca a verdade.

Joseph Smith ofereceu perdão

Depois de todas as mentiras e falsas acusações que John C. Bennett espalhou sobre Joseph Smith, que não apenas prejudicaram sua reputação, mas também o obrigaram injustamente a se esconder para evitar as autoridades e, posteriormente, contribuíram para várias prisões, inclusive aquela que culminou em sua morte, foi isto que Joseph disse sobre seu amigo John:

“Eu era seu amigo e ainda sou seu amigo, pois sinto que tenho a obrigação de ser amigo de todos os filhos de Adão. Sejam eles justos ou injustos, tenho por eles certo grau de compaixão e solidariedade. Se ele é meu inimigo, a culpa é dele, e a responsabilidade recai sobre sua própria cabeça; e, em vez de apresentar seu caráter diante de vocês, basta dizer que sua própria conduta, onde quer que vá, será suficiente para apresentá-lo a um público esclarecido, seja como um homem mau ou como um homem bom.”

Respostas às alegações comuns sobre a “Carta da Felicidade”

A maneira como Satanás trabalha é pegando partes da verdade e misturando-as com o engano. É também assim que qualquer vigarista, incluindo John C. Bennett, conquista a confiança de suas vítimas. A linguagem sobre felicidade, arbítrio e escolhas morais soa familiar e reconfortante, e é exatamente por isso que a chamada Carta da Felicidade tem sido usada de maneira tão eficaz para enganar.

A seguir estão respostas às alegações feitas pelos críticos a respeito da Carta da Felicidade atribuída a Joseph Smith, juntamente com os problemas factuais relacionados a cada uma delas.

Alegação: Joseph Smith escreveu a Carta da Felicidade

Não existe uma carta original escrita à mão por Joseph Smith. Não existe uma cópia ditada e registrada por um escrevente conhecido. A única versão da carta existe porque John C. Bennett a forneceu a um jornal depois de sua excomunhão, durante um período em que atacava ativamente Joseph Smith.

Por esse motivo, o Joseph Smith Papers não trata a carta como autêntica e a coloca em um apêndice, em vez de incluí-la entre os documentos verificados.

Alegação: A carta mostra que Joseph justificava a imoralidade

A filosofia atribuída a Joseph na carta se assemelha aos próprios ensinamentos de John C. Bennett, e não à doutrina documentada de Joseph Smith. Bennett ensinava que o sigilo justificava determinados comportamentos e que a felicidade poderia se sobrepor à lei moral. Joseph Smith ensinava arrependimento, obediência aos convênios e responsabilidade perante Deus.

Não existe nenhum sermão, revelação ou carta autenticada de Joseph Smith que ensine relativismo moral ou justifique o pecado em nome da felicidade.

Alegação: Profetas posteriores repetiram as mesmas ideias

Os críticos frequentemente afirmam que profetas posteriores repetiram ideias presentes na Carta da Felicidade, o que provaria que ela veio de Joseph Smith. Esse argumento se baseia em semelhanças superficiais de linguagem, e não de doutrina.

Declarações gerais sobre arbítrio, responsabilidade e Deus como a fonte da felicidade aparecem em todas as escrituras e na teologia cristã. Nenhum dos sucessores de Joseph Smith ensinou que o pecado se torna moral por meio do sigilo, do engano ou da justificativa pessoal. Essa ideia pertence inteiramente a Bennett.

Vocabulário semelhante não comprova autoria nem intenção semelhantes.

Alegação: A carta foi ocultada pela Igreja

A carta não foi escondida. Não existe um original e ela nunca foi aceita como autêntica. Os líderes da Igreja negaram publicamente sua autoria quando ela apareceu. Atualmente, o Joseph Smith Papers discute abertamente o documento, explica sua origem e identifica claramente os problemas relacionados a ele.

Chamar a rejeição de um documento falsificado de “ocultação” não é análise histórica.

Alegação: A carta corresponde às práticas de casamento plural de Joseph

Temos relatos em primeira mão de várias esposas plurais de Joseph Smith. Suas descrições incluem de maneira consistente relutância, explicações cuidadosas, uma compreensão baseada em convênios e sacrifício pessoal. Nenhuma delas descreve manipulação, coerção filosófica ou justificativas secretas para o pecado.

A versão dos acontecimentos apresentada por Bennett permanece isolada e contradiz todas as fontes confiáveis em primeira mão.

Alegação: A carta deve ser considerada confiável apesar do histórico de Bennett

John C. Bennett tinha um histórico documentado de desonestidade ao longo da vida. Quando recebia a confiança das pessoas, aproveitava-se dela. Quando era desmascarado, retaliava com mentiras. A Carta da Felicidade se encaixa perfeitamente nesse padrão. Ela aparece somente depois de sua queda do poder e serve a um único propósito: destruir a reputação de Joseph Smith.

Confiar nesse documento exige acreditar que Bennett repentinamente se tornou honesto justamente no momento em que tinha mais motivos para mentir.

Consideração final

A questão não é se a Carta da Felicidade apresentada por John C. Bennett parece convincente. A questão é se ela é confiável. A resposta histórica a essa pergunta é claramente não.

Fonte: Anti Anti-Mormon

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